terça-feira, 29 de setembro de 2026

[Entrevista] Ciência, equidade e pertencimento: a Comissão Científica do XXXV Encontro da ABPMC na perspectiva de Tamiris Poletini Gallano Seksenian

Por Paula Helena Gomes de Moraes Ruiz



Coordenadora da Comissão Científica do XXXV Encontro da Associação Brasileira de Ciências do Comportamento, a vice-presidente da gestão 2025–2026 fala sobre os bastidores da avaliação de trabalhos, as lacunas temáticas da área, a liderança feminina e o que faz de uma associação científica um espaço de pertencimento.


Quem assiste a uma mesa-redonda, a um simpósio ou a uma sessão de pôsteres no Encontro Anual da ABPMC raramente pensa em quem decidiu que aquela atividade estaria ali, naquele horário, naquela sala. No XXXV Encontro, boa parte dessas decisões passou pela Comissão Científica, coordenada por Tamiris Poletini Gallano Seksenian, vice-presidente da Associação Brasileira de Ciências do Comportamento (ABPMC) na gestão 2025–2026. Cabe à comissão receber, avaliar e organizar os trabalhos submetidos, que, segundo ela, respondem por mais da metade da programação, e montar a grade de um dos principais eventos de análise do comportamento no país. Este é, nas contas da própria entrevistada, o seu oitavo ano na comissão. Antes de assumir a vice-presidência, foi a segunda tesoureira da associação, em 2024.

Psicóloga formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em 2013, e mestre em Psicologia pela mesma universidade, Tamiris construiu sua formação em pesquisa básica sob orientação de Deisy das Graças de Souza, no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT). Da iniciação científica ao mestrado, estudou o responder por exclusão (forma de aprendizagem de vocabulário em que a criança, diante de uma palavra nova e de objetos já conhecidos, relaciona a palavra nova ao objeto desconhecido) em crianças de cerca de dois anos, linha de pesquisa que resultou, entre outros trabalhos, em artigo publicado no periódico internacional The Psychological Record. Hoje atua como psicóloga clínica, com base na análise do comportamento e nas terapias contextuais.

A relevância de seu trabalho está no ponto em que ciência e organização se encontram. Definir critérios de avaliação, prazos, convites e a distribuição das atividades é, na linguagem da própria área, criar contingências, no caso, as que favorecem que pesquisadores de diferentes regiões, trajetórias e gêneros submetam trabalhos, participem e ocupem espaços de destaque. Na edição deste ano, essa lógica ganhou visibilidade pública: a diretoria decidiu ocupar a abertura do encontro com mulheres. Para entender como essas escolhas são feitas, o Boletim Contexto conversou presencialmente com Tamiris durante o XXXV Encontro da ABPMC, realizado na PUC Minas, em Belo Horizonte (MG), em intervalos da programação e um dia após a cerimônia de abertura. A entrevista foi editada para fins de clareza e concisão, preservando o sentido das falas.

"Que tipo de contingências eu preciso criar?"

Boletim Contexto [Paula Helena]: Que pergunta você gostaria que os participantes levassem daqui ao sair deste encontro?

Tamiris Gallano: Precisa ser só uma? [risos] A primeira seria uma pergunta autorreflexiva: de que forma a minha prática — seja na clínica, seja em instituições, seja na pesquisa — contribui para uma sociedade mais igualitária, mais equânime, mais diversa? Que tipo de transformação social eu estou promovendo, e que tipo de transformação eu posso promover? E, principalmente: que tipo de contingências eu preciso criar para que essas transformações sejam possíveis?

Pensando no tema do evento e em como fomos construindo a programação, principalmente a abertura e o primeiro dia, as decisões foram tomadas para que este fosse um encontro em que não apenas se falasse de comportamento político, mas em que houvesse decisões e ações políticas — em que a gente se posicionasse politicamente.

E tem uma segunda pergunta que eu queria deixar: qual é a emoção que eu estou sentindo ao sair deste encontro, em que eu estive nesta comunidade? Quais foram as coisas que me fizeram sentir pertencente? E quais foram as coisas que talvez tenham me feito sentir desconforto? Olhar para essas emoções e para o que as evocou também é parte do trabalho.

Mulheres na abertura do Encontro da ABPMC 2026

Boletim Contexto [Paula Helena]: Uma coisa que chama atenção na organização deste ano é a coerência entre o que se diz e o que se faz. Não foi só abrir um espaço para discutir gênero: foi colocar mulheres nesse espaço, na abertura, e fazer a homenagem. Como essa decisão foi tomada?

Tamiris Gallano: Eu tenho uma fala amanhã justamente sobre lideranças femininas, e o que a literatura mostra é que as mulheres até chegam a lugares de poder, mas não necessariamente se sustentam ali. E, quando estão, o quanto são obrigadas a tomar decisões que não destoem da cultura já estabelecida.

Então, quando eu disse ontem na abertura que tomamos uma decisão que eu diria corajosa, é nesse sentido. A gente sabia que poderia gerar um desconforto tomar essa decisão, mas também sabia que era coerente tomar uma decisão que vai contra uma cultura estabelecida.

E aqui eu não estou dizendo que as pessoas escolhem — que as outras diretorias ou que a história da ABPMC escolheu homens para estar no primeiro dia. Mas é algo que os dados mostram: os homens chegam à livre-docência muito mais do que as mulheres, inclusive na psicologia, em que cerca de 90% dos ingressantes são mulheres.

Chegar a esse grau de formação faz com que seja mais natural convidar essas pessoas para as atividades de mais destaque — só que isso não leva a um convite equânime. Nesse sentido, acho que foi uma decisão corajosa, e eu estou muito orgulhosa dela.

Boletim Contexto [Paula Helena]: Ampliar a presença feminina não significa disputar espaço com os homens.

Tamiris Gallano: De forma alguma. Não é de forma alguma um objetivo criar rivalidade ou separação. O que a gente quer é criar as condições para estar em relação numa proporção equânime. E não é uma questão de igualdade, porque 50% não seria justo. Nós não somos 50%: nós somos 75% da associação. Isso já diz muito.

O que a área ainda não discute o suficiente

Boletim Contexto [Paula Helena]: O que a comunidade da análise do comportamento precisa começar a discutir — ou discutir de forma mais aprofundada?

Tamiris Gallano: Olhando para a programação científica, para os convites e para todas as submissões que recebemos, algo fica muito claro: precisamos ampliar as pesquisas e discussões que foquem, ou abarquem, o nível de seleção filogenético.

É aí que a análise do comportamento precisa também dialogar: naquilo que tangencia o comportamento. Não estou dizendo que nada disso seja estudado, mas acho que ainda não estamos olhando o suficiente para isso.

Boletim Contexto [Paula Helena]: E políticas públicas?

Tamiris Gallano: Políticas públicas sempre. Por enquanto a gente não tem uma discussão na dimensão que poderia ter, mas a gente pode fazer isso.

Boletim Contexto [Paula Helena]: Um dos bastidores menos conhecidos é o processo de avaliação dos trabalhos. Como ele funciona?

Tamiris Gallano: Este é o meu oitavo ano na comissão científica. As regras foram sendo construídas e foram ficando cada vez mais claras — são antecedentes muito claros. Os prazos não se estendem, e isso foi se tornando uma cultura: este é o quinto ano em que não abrimos prazo extra. E olha que curioso: mesmo sem ampliar prazo, estamos tendo aumento de submissões. É um processo aberto a todos — basta cumprir o prazo e as regras.

Também pensamos nas consequências para quem submete. As pessoas não ficam largadas: elas recebem a informação, estão na programação com o nome delas, vêm para cá, são bem tratadas e bem cuidadas pelos monitores, que são muito importantes para tudo. O evento é construído em cima disso: mais da metade da programação vem das submissões.

Vou contar um bastidor que eu gosto muito de compartilhar, porque acho que a gente precisa contar o que acontece: a Fernanda Calixto (presidente da ABPMC, gestão 2025–2026) lê todos os resumos que chegam, todos os anos.

"Fazer a programação é um grande sudoku"

Boletim Contexto [Paula Helena]: Qual é o maior desafio da área hoje, incluindo aí o trabalho de bastidor da comissão científica — aquelas contingências que ninguém vê?

Tamiris Gallano: Ninguém imagina esse desafio por trás. Vou começar pela programação.

Há um desafio que é externo a nós: não ter recursos, fomento e patrocínio suficientes para incentivar — e mesmo financiar — a vinda de pesquisadores de diferentes lugares do país, principalmente de lugares onde a passagem é mais cara. O mesmo vale para levar o evento a outras regiões: às vezes a passagem é cara, o público local é pequeno e o evento não se paga. É um desafio financeiro, e a princípio não tem como fugir disso.

Tem outro desafio que é bom, daqueles dois lados da moeda: é muito bom que haja tanta gente produzindo coisa muito boa; por outro lado, tem muita gente que a gente não conhece, não sabe onde está nem o que está produzindo. Nossas ações, inclusive a submissão, servem para conhecer cada vez mais pessoas. Ter mais amplitude sobre o que está sendo produzido no Brasil é um desafio importante.

E, em termos de programação científica, há o desafio de estruturar uma grade que contemple diferentes interesses e diferentes áreas de atuação sem que as atividades concorram entre si.

Boletim Contexto [Paula Helena]: Você tem algum método para isso?

Tamiris Gallano: Eu gosto muito de fazer sudoku. Muito [risos]. E eu brinco que fazer a programação é um grande sudoku, porque as atividades não podem bater umas com as outras. Não tem como eu estar em dois lugares ao mesmo tempo — não sei se em algum momento da vida, com IA, a gente vai poder, mas por enquanto não dá.

Além disso, quando a gente está numa instituição que nos acolhe, é preciso seguir os horários dela e compartilhar o espaço com as atividades da própria universidade. A casa em que a gente está tem as suas regras, e a gente tem que respeitar.

INCT-ECCE, clínica, ABA — e a ciência que resistiu ao desmonte

Boletim Contexto [Paula Helena]: Que característica da produção científica brasileira em análise do comportamento é motivo de orgulho para você?

Tamiris Gallano: A pergunta é ampla, mas eu posso falar com facilidade daquilo de que eu me orgulho — e aqui eu falo tanto como Tamiris pessoa física quanto como vice-presidente da ABPMC.

Eu tenho um orgulho gigante do trabalho do INCT-ECCE: de todo o grupo, que reúne pesquisadores de pesquisa básica e aplicada em diferentes universidades e faz pesquisa de ponta em análise do comportamento, com publicações maravilhosas. Meu mestrado foi dentro do INCT, minha monografia, minha iniciação científica. Tenho um orgulho enorme disso.

E acho que temos feito pesquisas clínicas maravilhosas. Há trabalhos recentes muito bons sobre protocolos de ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) e sobre como adaptá-la. É trabalho de primeira — dá orgulho de você ser pesquisador brasileiro. Você vê aquilo e fala: ‘Que coisa maravilhosa’!

Então temos produções muito boas tanto em clínica, quanto em pesquisa básica e em pesquisa aplicada. Temos pessoas muito sérias da ABA (Análise Aplicada do Comportamento) trabalhando com autismo, pesquisando seriamente, pesquisando processos. Isso é motivo de muito orgulho.

Boletim Contexto [Paula Helena]: E tudo isso feito no Brasil, com todos os desafios.

Tamiris Gallano: Coisa de ponta com todos os desafios — com quatro anos de governo federal que desmontaram a ciência. A gente resistiu, a gente continua. É muito orgulho. E mesmo com o governo atual: reaver o desmonte de outros tempos demanda muito tempo. Não é assim, de uma hora para outra.

Boletim Contexto [Paula Helena]: Foi um retrocesso grande em termos de bolsas perdidas, pesquisas pausadas, cancelamento de políticas que já estavam em vigor — e a área de humanas foi completamente impactada. Quantos pesquisadores bancam a própria pesquisa do próprio bolso?

Tamiris Gallano: Minha pesquisa de mestrado foi feita com bolsa, e sem a bolsa eu não teria condições de ter feito. E é isso.

"Qualquer pessoa é bem-vinda"

Boletim Contexto [Paula Helena]: Que mensagem você deixaria para estudantes, profissionais e docentes que estão chegando agora?

Tamiris Gallano: Qualquer pessoa — mesmo quem nem sabe se gosta, se entende, se quer ser analista do comportamento — é bem-vinda na nossa associação. Qualquer pessoa, de qualquer lugar do país e em qualquer momento da formação, é bem-vinda para trabalhar, para só aprender, para o ABPMC em Curso, para o evento.

Eu quero deixar essa mensagem principalmente para os estudantes, aqueles que dizem ‘ai, eu nem sei o que é isso’: vem conhecer, vem ver, vem explorar. Acho que essa é a ideia — explorar. E eu também quero dizer que a gente é legal [risos].

Brincadeiras à parte, tenho um pedido para os profissionais, para os associados e para quem não é associado: associem-se. Fazer parte de uma associação científica não é só pagar mais barato no evento, não é só ter um desconto — é fomentar a ciência e a pesquisa no Brasil, é pertencer a uma comunidade.

Boletim Contexto [Paula Helena]: Ouvimos hoje, no café da manhã, o relato de um participante que disse se sentir acolhido na ABPMC — não como alguém "só formado", mas como alguém pertencente. Esse cuidado aparece nos detalhes da organização.

Tamiris Gallano: Eu quero dizer algo que a Fernanda [Calixto] falou ontem — eu não sabia do discurso dela, chorei horrores, e depois chorei mais quando estava fora do palco: o que é feito, é feito com muito carinho. Muito carinho mesmo. E tem muita coisa que é feita manualmente.

O mapa que vocês viram no manual do participante, que foi postado no Instagram, fomos eu e a Fernanda que fizemos no Canva*. A gente sentou e fez aquilo para ficar claro. A gente não é designer, sabe que não é a coisa mais linda do mundo, mas está nos pequenos detalhes. No ano passado — este ano a gente não conseguiu —, a gente fez uma etiqueta para colar em cima de onde estava escrito "participante" no crachá, colocando "aprendiz de analista do comportamento", para as crianças.

Todos esses detalhes são pensados com muito carinho. Na hora de olhar a bolsa*, de pensar nos brindes*, a gente tem uma preocupação com sustentabilidade, mas também com as pessoas sentirem esse carinho, sentirem que estão sendo cuidadas. Porque uma associação não é associação se não tem associados e se as pessoas não se sentem parte daquilo. Quando as pessoas se sentem pertencentes, é outra relação, você quer participar daquilo.

*Nos detalhes: bolsas, doce de leite e um mapa feito à mão

As bolsas entregues no credenciamento do XXXV Encontro chamaram atenção por não trazerem estampas, logotipos ou frases impressas. A escolha foi intencional: elas foram adquiridas da Oficina da Bolsa (@oficinadabolsa), coletivo de mulheres de Belo Horizonte e empreendimento de economia solidária (modelo de produção baseado na cooperação, na autogestão e na divisão justa da renda entre quem trabalha) que valoriza o trabalho coletivo, a geração de renda e o fortalecimento de iniciativas locais. Segundo a comunicação da ABPMC, a intenção era que parte dos recursos do evento contribuísse diretamente com quem trabalha e empreende na cidade anfitriã — daí uma bolsa "mais simples visualmente, mas carregada de significado", feita por mulheres, em Belo Horizonte, especialmente para o encontro. Na mesma linha, entre os brindes, os participantes receberam um doce de leite produzido em Minas Gerais.

O mapa citado por Tamiris também tinha função prática: publicado no perfil da associação no Instagram, funcionou como uma "colinha" do campus da PUC Minas para que os participantes localizassem as salas das atividades, contando ainda com o apoio dos monitores espalhados pelo evento.

Gentileza também é ciência

Boletim Contexto [Paula Helena]: Você gostaria de deixar alguma mensagem, ou responder a alguma pergunta que eu não fiz?

Tamiris Gallano: Nunca é demais repetir: todas as pessoas que trabalham na ABPMC — à exceção de duas contratadas, uma secretária e uma jornalista de marketing — são voluntárias. São pessoas que tiram horário da própria vida para fazer algo altruísta, muitas vezes sem visibilidade, sem ganhar nada e sem nenhum reforçamento direto além de poder contribuir. Então o mínimo que a gente pode fazer, em agradecimento, é tratar essas pessoas com gentileza. Sugestões de melhoria são sempre bem-vindas — mas que a gentileza e o respeito não faltem.

Considerações finais: a ciência que se organiza nos bastidores

Ao longo da conversa, Tamiris Poletini Gallano descreveu a coordenação de uma comissão científica como um trabalho que vai muito além de selecionar resumos. Regras claras e prazos que não se estendem funcionam como antecedentes que tornam a submissão previsível e justa; o cuidado com quem apresenta — o nome impresso na programação, a recepção pelos monitores — opera como consequência que sustenta a participação nas edições seguintes. O efeito, segundo ela, já aparece: há cinco anos sem prorrogação de prazo, as submissões continuam crescendo. Montar a grade, por sua vez, exige a paciência de quem resolve um sudoku, conciliando áreas, interesses e salas de uma instituição que empresta sua casa ao evento.

É desse lugar de observação — o de quem vê, a cada ano, o conjunto do que a área produz e submete — que ela aponta também as lacunas. Faltam trabalhos e pesquisadores dedicados ao nível filogenético e às bases biológicas do comportamento, e a discussão sobre políticas públicas ainda não alcançou a dimensão que poderia ter. São pistas para quem pesquisa e, ao mesmo tempo, uma agenda possível para as próximas edições do encontro.

A gestão de que Tamiris faz parte se encerra em 31 de dezembro, mas a pergunta que ela propôs aos participantes permanece aberta para toda a comunidade: que contingências cada um de nós está criando para que a transformação que defende seja, de fato, possível? No XXXV Encontro, a Comissão Científica e a diretoria ofereceram uma resposta concreta — na composição da abertura, nas regras de submissão e nos pequenos gestos de acolhimento. Cabe agora à comunidade decidir se essa resposta será um episódio isolado ou o começo de uma nova cultura.


Nota: entrevista realizada em 03/09/2026, durante o XXXV Encontro da ABPMC, na PUC Minas, em Belo Horizonte (MG). 


Uso de IA generativa: Na preparação deste texto, a autora usou o Claude (Anthropic) para transcrever o áudio da entrevista, condensar e organizar o texto, com revisão final da autora e aprovação da entrevistada. Nenhuma ferramenta de IA foi usada para gerar dados, análises ou referências. A autora assume total responsabilidade pelo conteúdo publicado.




[Entrevista] Masculinidades e Análise do Comportamento: entrevista com João Holanda

  Por Paula Helena Gomes de Moraes Ruiz A sala estava lotada, com gente sentada no chão. Assim foi a roda de conversa “Precisamos Falar So...