terça-feira, 16 de junho de 2026

[ARTIGO] Autores de violência contra mulheres: entre dados e perguntas

 



Escrito por Taísa Scarpin Guazi

Em “Vivências dos homens autores de violência contra as mulheres: uma perspectiva interseccional”, Valadares e Loyola (2026) elegem como objeto de estudo homens que perpetraram violências contra mulheres (HAV). Mais especificamente, os autores buscaram avaliar como esses homens descrevem as violências cometidas e se as reconhecem, por exemplo, como tais. O artigo, derivado da dissertação de mestrado do primeiro autor, discute violência de gênero a partir da perspectiva dos agressores e não das vítimas. Isso é importante – afinal, continuamos a saber relativamente pouco sobre quem são os autores dessas violências e como eles explicam e descrevem seus próprios comportamentos (Pinheiro & Andrade, 2023). E coligir informações dessa natureza pode contribuir para ampliar a nossa compreensão sobre a violência contra mulheres, ajudando-nos a discriminar outras variáveis sob controle das quais ela ocorre. 

Para, então, investigar como “o ato violento aparece e é compreendido” pelos seus perpetradores (p. 162-163) e como esses indivíduos se relacionam com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), Valadares e Loyola (2026) entrevistaram 10 homens que estavam na fila de espera de Núcleos de Atendimento à Família e Autores de Violência Doméstica (NAFAVDs) do Distrito Federal. Esses núcleos, criados inicialmente para atender e acolher mulheres vítimas de violência doméstica, também passaram a atender os homens autores dessa violência (Silva, 2015). Atualmente, os NAFAVDs fazem parte do Programa Acolher, instituído no Distrito Federal em 2021, e normatizado pela Portaria nº 01, de 07 de janeiro de 2022 (Distrito Federal, 2022). O objetivo geral dos núcleos é “promover a equidade de gênero, a cultura de paz, por meio do empoderamento de mulheres, da reeducação e responsabilização de autores de violência doméstica e familiar contra mulheres” (Distrito Federal, 2022). Os homens, autores de violência, podem acessar esse serviço via encaminhamento judicial ou espontaneamente. 

Os participantes de Valadares e Loyola (2026), no caso, foram encaminhados pelo sistema judiciário para os NAFAVDs e ainda aguardavam, à época das entrevistas, para serem atendidos. Os dez homens tinham cometido violência no âmbito de uma relação conjugal; seis se declararam negros e quatro, brancos. Eles eram, então, empregados e tinham, em média, 39 anos. Durante a coleta de dados, os entrevistados foram questionados sobre as “percepções gerais sobre a LMP [Lei Maria da Penha]; motivos que concorrem para a violência contra as mulheres; histórico do relacionamento; práticas discursivas diante da violência; formações da masculinidade e sua relação com a violência; e articulação entre masculinidade e interseccionalidades raciais” (Valadares & Loyola, 2026, p. 164). Conquanto todas as variáveis avaliadas sejam relevantes, neste comment, destacaremos especialmente as práticas discursivas dos participantes sobre a violência cometida.

De acordo com Valadares e Loyola (2026), seis dos 10 entrevistados atribuíram a culpa da violência cometida por eles às suas parceiras. Avaliando os trechos das entrevistas divulgados pelos autores, seria possível tipificar, em uma perspectiva analítico-comportamental,  as explicações dadas pelos participantes de Valadares e Loyola (2026) como internalistas. Para os HAV, as mulheres, graças a sua irracionalidade e ilógica, agiriam para mobilizar estados internos masculinos (e.g., ciúmes, descontrole, raiva) que, então, culminariam na violência. Para esses homens, as mulheres fazem parte da cadeia causal da violência da qual elas são vítimas, iniciando-a, e, portanto, são as grandes responsáveis pela sua ocorrência. A eleição de estados internos para explicar o comportamento sexista e violento oblitera variáveis ambientais e históricas que, de fato, podem explicá-lo (Skinner, 1953). Numerosas contingências sociais asseguram que comportamentos compatíveis com os chamados papéis de gênero (e.g., “mulheres devem ser frágeis e delicadas e devem cuidar da casa e do marido”; “os homens devem ser fortes e viris e devem ser o provedor da casa”) sejam instalados e mantidos no repertório de crianças e adultos. Com isso, historicamente, mulheres e homens têm acesso desiguais a reforçadores; às mulheres, por exemplo, são negados reforçadores que, desde muito cedo, são disponibilizados aos homens (e.g., aqueles relacionados aos comportamentos de agredir, de liderar, de estar e se sentir seguro andando sozinho) (Daly, 1996). Essa assimetria de acesso garante, inclusive, a instituição e a manutenção de uma relação de hierarquia dentro de relacionamentos heterossexuais, com claro prejuízo às mulheres (Pinheiro & Mizael, 2019). E, quando a soberania do homem é ameaçada nessa relação, comportamentos que geram como consequência o restabelecimento do poder podem ser emitidos - inclusive os violentos (ver Valadares & Loyola, 2026). Todavia, ao simplesmente explicar a violência contra parceiras apelando para características hipotéticas internas a elas e a eles, todo esse contexto histórico-ambiental é ignorado.

Seis dos 10 participantes de Valadares e Loyola (2026) também negaram terem cometido as violências cuja ocorrência foi reconhecida pelo próprio estado brasileiro. O leitor deve notar que os entrevistados foram selecionados para o estudo em função de terem sido reconhecidos, pelo sistema judiciário, como autores de violência. Ainda assim, eles não se reconhecem como agressores e não tipificam, como violento, seus comportamentos. Nesse contexto, oito dos 10 participantes também se sentiram injustiçados ao serem enquadrados no âmbito da Lei Maria da Penha. O que leva autores de violência contra mulheres a não se reconhecerem como tais? O que leva esses mesmos autores a não classificarem como violentos os seus próprios comportamentos? As respostas provavelmente não são simples e respostas empíricas e cientificamente embasadas devem ser buscadas. Afinal, responder essa pergunta pode ajudar no combate à violência contra mulheres. Adicionalmente, como o estudo de Valadares e Loyola (2026) é de natureza exploratória e contou com apenas 10 participantes, mais estudos devem ser feitos para avaliar, inclusive, se esses resultados serão replicados. Ainda assim, a pergunta permanece: por que (esses) autores de violência não reconhecem como violentas as ações praticadas? 

Eu não tenho respostas, mas tenho (outras) perguntas. Por exemplo: autores de violência não tipificam seus comportamentos como violentos por que não são sensíveis às consequências desses comportamentos? Lopes e Laurenti (2015) fizeram uma análise analítico-comportamental sobre a maldade, ou mais especificamente, sobre o comportamento que produz sobre o outro consequências danosas, deletérias ou letais. Ao discutirem variáveis e condições que podem favorecer a ocorrência de comportamentos desse tipo, os autores analisam a importância da sensibilidade do comportamento às suas consequências. Ao longo da evolução das espécies e do operante, essa sensibilidade aos seus consequentes teria sido crucial para o próprio comportamento, mas também para a vida, em geral. Comportamentos violentos ou maldosos poderiam, assim, ser produto de um cenário no qual a ocorrência comportamental não é sensível às consequências que produz. Ou seja, o comportamento violento não seria sensível aos danos provocados, de modo que esses consequentes não seriam capazes de enfraquecer o comportamento que os produziu. Dada essa possibilidade, será que o comportamento violento sexista poderia, então, ser insensível aos seus consequentes? Ou seja, será que o comportamento do HAV poderia, sob certas circunstâncias, ser insensível ao sofrimento físico, psicológico e moral provocado nas mulheres? Sendo a resposta afirmativa, o que produziria essa insensibilidade? 

Lopes e Laurenti (2015) discutem um dado conhecido no âmbito da literatura de base skinneriana: regras podem diminuir a sensibilidade do comportamento às consequências. Como mencionado, diversas contingências sociais controlam comportamentos relacionados ao ser homem e ao ser mulher em nossa sociedade. Essas contingências, muitas delas verbais, negam às mulheres o status de humanidade que é garantido aos homens. Mais especificamente, muitas regras relacionadas ao gênero feminino negam às mulheres a sua tipificação como um sujeito de direitos, deveres e de existência autônoma. Será que descrições verbais como essas diminuiriam a sensibilidade de HAV aos consequentes de suas ações? Isto é, sob controle de descrições verbais que rejeitam a dignidade humana de mulheres, o comportamento de HAV se tornaria menos sensível ao sofrimento dele resultante?

Outras tantas perguntas se seguem a essas. A ciência e a Análise do Comportamento podem ajudar a responder essas questões. E, enquanto aguardamos as respostas, eu me despeço. Até a próxima. 


Um breve comment analítico-comportamental de:

Valadares, V. S., & Loyola, V. M. Z. (2026). Vivências dos homens autores de violência contra as mulheres: uma perspectiva interseccional, Revista de Psicología, 44(1), 159-189.


Referências

Daly, P. M. (1996). Sexism. In M. A. Mattaini & B. A. Thyer (Eds.), Finding solutions to social problems: Behavioral strategies for change (pp. 201-220). American Psychological Association.

Distrito Federal. (2022). Portaria nº 01, de 07 de janeiro de 2022. Diário Oficial do Distrito Federal. https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/75d84147ea174bcbac82265dbabe8113/Portaria_1_07_01_2022.html

Lopes, C. E., & Laurenti, C. (2015). Reflexões comportamentalistas sobre a maldade contemporânea. In C. E. Lopes & C. Laurenti (Org.), Cultura, democracia e ética: reflexões comportamentalistas (pp.15-42). Eduem. 

Pinheiro, L. M. S., & Andrade, T. A. (2023). Perfil de homens autores de violência contra as mulheres: revisão sistemática da literatura brasileira. Psicologia Revista, 32(1), 82-101. 

Pinheiro, R., & Mizael, T. (2019). Debates sobre feminismo e Análise do Comportamento. Imagine Publicações. 

Silva, M. V. O. (2015). NAFAVD: Um Retrato de um Serviço de Atendimento a Autores de Violência Doméstica no Distrito Federal. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) - Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

Skinner, B. F. (1953). Science and human behavior. Macmillan Company.


Agradecimentos

Agradeço o cuidado e a competência de Divaldo de Canavarros de Abreu Junior e Camila Abigail Ocariz Duré na revisão desse texto.

Declaração de uso de IA

Na produção desse texto, a autora utilizou a inteligência artificial generativa Gemini (3.5 flash) para gerar a imagem de destaque do post. Para tanto, foi utilizado o seguinte prompt “Faça um desenho de um punho masculino batendo em uma parede com o desenho do símbolo do gênero feminino”.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

[Resenha] O Voo de Odisseu na Teoria das Molduras Relacionais (RFT): Desafios e Horizontes de um Modelo Hiperdimensional

                                

                                                                                                      

Escrito por Divaldo de Canavarros de Abreu Junior


 Onde quer que eu ‘ROE-M’ (Roam), lá estou.” (Harte & Barnes-Holmes, 2021).

Quando o texto seminal de Hayes, Barnes-Holmes e Roche foi publicado em 2001, a promessa era audaciosa: oferecer uma abordagem analítico-comportamental ampla sobre a linguagem e a cognição humana. Duas décadas depois, a Teoria das Molduras Relacionais (RFT) encontra-se em um fluxo de sofisticação conceitual e empírica. (Para mais detalhes introdutórios da RFT ver Perez et al., 2017).

No artigo "Relational frame theory 20 years on: The Odysseus voyage and beyond", publicado no Journal of the Experimental Analysis of Behavior, Dermot Barnes-Holmes e Colin Harte convidam a comunidade a embarcar nos desdobramentos de um programa de pesquisa financiado pela Flanders Science Foundation (o programa Odysseus, sediado na Universidade de Ghent entre 2015 e 2020). Longe de ser apenas uma narrativa histórica, o artigo estabelece uma expansão teórica que estende a RFT para além do volume clássico de 2001.

A consolidação metodológica e conceitual desse fenômeno formalizada rigorosamente por Sidman e Tailby (1982) por meio dos testes de reflexividade, simetria e transitividade, e posteriormente expandida por Sidman (2000) em uma teoria analítico-comportamental unificada, fundamentou as bases para os desdobramentos seguintes. A constatação de que seres humanos derivam relações sem reforço direto, algo que Sidman e outros pesquisadores apontaram como geralmente ausente ou fraco em espécies não humanas, solidificou o elo indissociável entre equivalência e linguagem verbal (Hayes, Barnes-Holmes & Roche, 2001).

A RFT avançou ao propor que o responder relacional arbitrariamente aplicável (RRAA) funciona como um operante generalizado. O texto sintetiza as propriedades fundamentais do quadro relacional clássico:

 Implicação Mútua: Refere-se a uma relação bidirecional entre dois estímulos. Por exemplo, se X é menor que Y, mutuamente se estabelece que Y é maior que X.

Implicação Combinatória: Refere-se a relações inovadoras que emergem entre estímulos quando três ou mais elementos são relacionados. Se você aprende que: X é menor que Y E que Y é menor que Z. Você descobre que: X é menor que Z (e que Z é maior que X).

Transformação de Funções de Estímulo: A alteração das propriedades psicológicas de um estímulo a partir de sua inserção em uma rede relacional, ocorrendo na ausência de reforço direto, instrução ou indução explícita. Se você aprende que X<Y<Z e leva um choque direto apenas com Y, a função de Z se transforma automaticamente e você passa a ter mais medo dele (porque ele é "maior" que o perigo), enquanto X passa a gerar menos medo (por ser "menor"), sem que você nunca tenha recebido um choque com nenhum dos dois.

No modelo tradicional da RFT, esses processos operam sob o controle de pistas contextuais relacionais (Crel), que determinam o tipo de relação, e pistas contextuais funcionais (Cfunc), que controlam as funções comportamentais e a transformação de função produzida. A grande mudança de rota apresentada para além do volume de 2001 reside na ênfase dada à cooperação humana altamente desenvolvida como o principal motor evolutivo do RRAA.

Em vez de focar no início da linguagem puramente no falar ou ouvir, os autores sugerem que a história crítica começa com o orientar mutuamente entrelaçado. Essa é uma classe de comportamento que ocorre especificamente no contexto de um ato cooperativo entre um cuidador e um bebê humano para mais detalhes sobre o tema ver Tomasello et al. (2005).

O Modelo HDML e a Unidade ROE-M: A Hiperdimensionalidade do Comportamento

A maior contribuição contemporânea revisada no artigo é a formalização do modelo HDML (Hyper-Dimensional, Multilevel Framework). O modelo supera análises puramente focadas no quadro relacional isolado ao cruzar níveis de desenvolvimento com dimensões dinâmicas.

O framework especifica cinco níveis de desenvolvimento relacional:

1.     Mutuamente implicado;

2.     Combinatoriamente implicado;

3.     Em rede relacional;

4.     Relacionando relações;

5.     Relacionando redes relacionais.

Esses níveis cruzam-se dinamicamente com quatro dimensões:

Coerência: Grau em que o padrão de RRAA é consistente com padrões estabelecidos anteriormente pela comunidade verbal.

Complexidade: A densidade, o detalhamento ou o número e tipos de relações envolvidas na resposta.

Derivação: A extensão em que um padrão relacional específico foi emitido anteriormente, diminuindo à medida que ganha histórico próprio.

Flexibilidade: O grau em que o padrão relacional pode ser modificado por variáveis contextuais atuais.

A intersecção entre esses cinco níveis e quatro dimensões gera 20 unidades analítico-abstratas de análise, que dão suporte à nova unidade genérica do comportamento humano: o ROE-M.

O que é o ROE-M?  Sigla para Relacionar, Orientar, Evocar e Motivar. O argumento central é que qualquer ato psicológico humano envolve uma interação dinâmica, não linear e simultânea entre esses quatro elementos. Dito de outra forma, o ROE-M é a unidade de análise contemporânea do comportamento verbal e da cognição humana dentro da Teoria das Molduras Relacionais (RFT).

 Matriz Dinâmica do Modelo HDML  tabela ilustrativa

Níveis de Complexidade

Coerência

Complexidade

Derivação

Flexibilidade

1. Relacionando Estímulos (Mútua/Combinatória)

O sentido faz lógica imediata para o indivíduo (ex: A=B).

Envolve poucas propriedades ou estímulos simples na rede.

A velocidade em derivar a relação sem treino direto (A > B induz B > A).

 

A facilidade em reverter a relação se o contexto mudar (ex: agora A é diferente de B).

2. Em Rede Relacional (Sentenças/Histórias)

A narrativa ou história contada mantém consistência interna.

O tamanho e a densidade da rede (várias molduras conectadas: coordenação, distinção, oposição).

Como novas histórias são inferidas a partir de pedaços de informações soltas.

A capacidade de mudar de perspectiva sobre uma história quando surgem novos dados.

3. Relacionando Relações (Analogias/Metáforas)

A analogia faz sentido contextual (ex: "A estrutura do átomo é como o sistema solar").

Exige correlacionar duas redes completas distintas ao mesmo tempo.

A rapidez em captar o significado oculto ou abstrato de uma nova metáfora.

Conseguir ver múltiplos significados ou subverter a função de uma analogia clássica.

4. Relacionando Redes (Sistemas de Crenças/Self)

Alinhamento macro (ex: como minha visão de mundo se encaixa com quem eu sou, Self Verbal).

O nível mais alto; envolve ideologias, regras de vida complexas e cosmovisões.

Como o indivíduo deduz seu valor ou o futuro a partir de sistemas conceituais inteiros.

Flexibilidade Psicológica: Capacidade de se descolar de redes rígidas (defusão) sob demanda adaptativa.

 

Evidências de Laboratório: O IRAP e o Modelo DAARRE

O artigo demonstra como essa evolução teórica foi impulsionada por investigações empíricas com o Implicit Relational Assessment Procedure (IRAP). O IRAP é um procedimento computadorizado desenvolvido originalmente dentro da RFT para medir a força e a probabilidade de padrões naturais de RRAA por meio de latências de resposta sob pressão de tempo (Barnes-Holmes et al., 2006).

O modelo DAARRE (Differential Arbitrarily Applicable Relational Responding Effects)  foi inicialmente formulado por Dermot Barnes-Holmes e seu grupo de pesquisa para explicar as assimetrias encontradas em um estudo fundamental e aparentemente simples: o famoso teste computadorizado de "Cores e Formas" (Shapes-and-Colors IRAP). Para mais detalhes do estudo ver (Finn et al., 2018).

O modelo DAARRE demonstra que o desempenho em tarefas verbais rápidas é determinado pelo nível de sobreposição e coerência funcional entre as propriedades contextuais (Crel e Cfunc) dos estímulos e os Indicadores de Coerência Relacional (RCI) usados como opções de resposta (Barnes-Holmes & Harte, 2022). A coerência funcional, nesse sentido, refere-se à consistência entre a função de estímulo (o impacto psicológico ou significado da pista) e as demandas da resposta exigida pela tarefa.

A inclusão de operações motivacionais (OM) biológicas manipulações diretas de estados de privação e saciação ilustra com precisão a maleabilidade situacional que rege o funcionamento do modelo ROE-M (Relacionar, Orientar, e Evocar a Motivação contextual). O que diferencia essas variáveis de manipulações puramente instrucionais (como regras verbais sobre o valor de um reforçador) é a alteração imediata e incondicionada do valor de sobrevivência do estímulo e da probabilidade da resposta, sem a necessidade de treino verbal prévio. No cenário experimental, enquanto uma variável motivacional instrucional altera o comportamento via rede de relações derivadas (ex.: "imagine que você está com sede"), a variável biológica ou incondicionada altera o estado fisiológico do organismo de forma imediata, exercendo um controle contextual direto e de alta magnitude sobre as propriedades evocativas dos estímulos.

Um exemplo metodológico dessa distinção é o estudo de Gomes et al. (2020). Os pesquisadores estabeleceram, via treino de pareamento ao modelo, classes de equivalência entre estímulos abstratos (formas geométricas) e imagens de copos de água. Em seguida, os participantes foram submetidos ao IRAP sob três condições motivacionais distintas: saciação (livre consumo de água antes do teste), neutra e privação aguda (induzida quimicamente no momento do teste por gotas de molho de pimenta na língua).

No desenho do IRAP, essa manipulação afetou diretamente a dinâmica de respostas rápidas. O dispositivo apresentou os estímulos abstratos (estímulos-modelo) pareados a palavras-alvo de confirmação (ex.: "Quero", "Água") ou negação (ex.: "Não", "Evitar"). Os participantes deveriam responder sob duas regras de blocos: uma coerente com a busca por água (regra pró-consumo) e outra incoerente (regra de esquiva/neutralidade).

A ardência imediata da pimenta atuou como uma Operação de Estabelecimento (OE), alterando drasticamente o contexto motivacional da tarefa. Ao aumentar o valor apetitivo da água instantaneamente, a OE maximizou a propriedade funcional (Cfunc) dos estímulos abstratos que faziam parte da classe de equivalência da água. No nível do ROE-M, a privação aguda evocou uma forte resposta de orientação (O) para os estímulos da água e potencializou a função evocativa (E) das respostas direcionadas à confirmação do consumo.

Em termos de mensuração, o IRAP capturou esse fenômeno por meio dos escores D-IRAP (calculados a partir da latência de resposta em milissegundos) (Barnes-Holmes et al., 2018). Na condição de privação aguda, os participantes demonstraram uma facilitação cognitiva (respostas significativamente mais rápidas e com menor taxa de erro) estritamente nos blocos em que a regra exigia confirmar a relação entre os estímulos abstratos e a busca por água. Esse viés relacional acentuado, quando comparado às condições neutra e de saciação, evidenciou como uma operação motivacional de base biológica é capaz de modular a força e a velocidade de redes relacionais derivadas em tempo real.

Considerações Críticas: Avanços e Desafios para a Comunidade

 O esforço de Barnes-Holmes e Harte (2022) em expandir a RFT (Teoria dos Quadros Relacionais) aproxima a análise do comportamento da complexidade real encontrada no ambiente clínico e cotidiano. Ao integrar de forma indissociável a atenção (orientar), o afeto (evocar), a motivação (motivar) e a cognição (relacionar) sob uma mesma matriz operante (o modelo ROE-M), os autores oferecem ferramentas conceituais que transicionam do desenho experimental para a prática terapêutica. Na clínica, essa aproximação ocorre quando o terapeuta deixa de analisar o relato verbal (relacionar) de forma isolada e passa a rastrear, em tempo real, como esse relato evoca respostas emocionais na sessão, orienta a atenção do paciente para estímulos específicos e modifica sua motivação para agir. Essa transposição amplia significativamente a aplicação da teoria ao fornecer um mapa tridimensional para intervenções complexas, como a reestruturação do Self simbólico, o treino de tomadas de perspectiva (dêíticos) e a flexibilização do seguimento rígido de regras, permitindo que o clínico manipule essas quatro dimensões de forma integrada e contextualizada, em vez de tratá-las como processos psicológicos separados.

Contudo, como os próprios autores reconhecem de forma transparente, grande parte das novas formulações (como os comportamentos pré-natais no chamado "triângulo de emaranhamento") é altamente especulativa e baseada em uma teorização molar. Além disso, o framework gera termos conceituais novos cujo valor a longo prazo dependerá inteiramente de sua utilidade demonstrada na literatura pela comunidade científica. Serão necessários mais estudos analíticos em contextos de interações diversas para validar se as 20 células do HDML mantêm sua utilidade prática e indutiva.

Conclusão

O artigo "Relational frame theory 20 years on: The Odysseus voyage and beyond" é uma leitura instigante. Longe de ser um dogma fechado, a RFT mostra-se viva e responsiva.

O texto funciona como um mapa atualizado que nos desafia a olhar para além do horizonte clássico e a compreender o ser humano verbal como um organismo que constantemente está "ROE-ning" através de um fluxo dinâmico, não linear e profundamente contextualizado de eventos comportamentais.

Agradeço a leitura e a revisão cuidadosa feita pelo Dermot Barnes-Holmes, Camila Abigail Ocariz Duré e do Eduardo Cunha Vilela. Espero que este texto tenha estabelecido uma relação de coordenação com o seu interesse pelo tema. Mas, se você ainda ficou com dúvidas, não se preocupe, é hora de continuar a 'ROE-M' por aí e derivar o resto. 


Artigo Analisado: Barnes-Holmes, D., & Harte, C. (2022). Relational frame theory 20 years on: The Odysseus voyage and beyond. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 117(2), 240-266.



Referências Bibliográficas

Barnes-Holmes, D., Barnes-Holmes, Y., Power, P., Hayden, E., Milne, R., & Stewart, I. (2006). Do you really know what you believe? Developing the Implicit Relational Assessment Procedure (IRAP) as a direct measure of implicit beliefs. The Irish Psychologist, 32(7), 169–177.

Barnes-Holmes, D., Finn, M., McEnteggart, C., & Barnes-Holmes, Y. (2018). Derived Relational Responding and Motivation: A Review of the Relational Frame Theory Account of Human Motivation. The Psychological Record, 68, 483–494.

Barnes-Holmes, D., & Harte, C. (2022). Relational frame theory 20 years on: The Odysseus voyage and beyond. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 117(2), 240-266. https://doi.org/10.1002/jeab.733

Finn, M., Barnes-Holmes, D., & McEnteggart, C. (2018). Exploring the single-trial-type-dominance-effect on the IRAP: Developing a differential arbitrarily applicable relational responding effects (DAARRE) model. The Psychological Record, 68(1), 11–25. https://doi.org/10.1007/s40732-017-0262-z

Gomes, C., Perez, W., de Almeida, J., Ribeiro, A., de Rose, J., & Barnes-Holmes, D. (2020). Assessing a derived transformation of functions using the implicit relational assessment procedure under three motivative conditions. The Psychological Record, 69, 487-497. https://doi.org/10.1007/s40732-019-00353-6

Harte, C., & Barnes-Holmes, D. (2021, 29 de março). Wherever I “ROE-M” there I am: An RFT (technical) account of the verbal self and altered states of consciousness. Behavior Analysis Blogs. https://behavioranalysisblogs.abainternational.org/2021/03/29/wherever-i-roe-m-there-i-am-an-rft-technical-account-of-the-verbal-self-and-altered-states-of-consciousness/

Hayes, S. C., Barnes-Holmes, D., & Roche, B. (2001). Relational frame theory: A post-Skinnerian account of human language and cognition. Plenum.

Perez, W. F., Nico, Y. C., Kovac, R., Fidalgo, A. P., & Leonardi, J. L. (2017). Introdução à Teoria das Molduras Relacionais (Relational Frame Theory): principais conceitos, achados experimentais e possibilidades

Sidman, M., & Tailby, W. (1982). Conditional discrimination as a basis for equivalence relations. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 37(1), 5–22. https://doi.org/10.1901/jeab.1982.37-5

de aplicação. Perspectivas em Análise do Comportamento, 8(1), 105–181.

Tomasello, M., Carpenter, M., Call, J., Behne, T., & Moll, H. (2005). Understanding and sharing intentions: The origins of cultural cognition. Behavioral and Brain Sciences, 28(5), 675–691. 10.1017/S0140525X05000129

 

 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

[ARTIGO] Espiritualidade, consciência e Análise do Comportamento


Diogo Esmeraldo Cavalcanti


Este texto é um resumo do artigo “Espiritualidade, consciência e Análise do Comportamento”, publicado em 2025, cuja autoria é de Lívia Balog. A introdução do texto de Balog (2025) parte de Sigmund Freud e sua obra “O mal-estar na civilização”, na qual a religião é compreendida como uma ilusão. Em contraposição, surgida na troca de cartas entre Freud e um amigo (cujo nome não é citado no texto), surge a noção de um “sentimento oceânico”, descrito como uma experiência de infinitude e ausência de limites, cuja origem Freud buscou explicar teoricamente. Cabe esclarecer que religião e experiência religiosa são entendidos como fenômenos diferentes e no texto o segundo é descrito como fonte do primeiro.

Na Análise do Comportamento, B. F. Skinner iniciou a compreensão da religião como agência de controle (Padilha, Fazzano, & Gallo, 2022; Skinner, 1953/2003), mas estudos mais recentes sugerem que a experiência religiosa envolve também dimensões subjetivas. Nesse sentido, o “sentimento oceânico” passa a ser investigado como experiência privada ainda pouco explorada e que, possivelmente, é comum a todas as religiões (Balog, 2025).




quinta-feira, 21 de maio de 2026

[Resenha] Muito Além da Glicemia: O Poder da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para pessoas com Diabetes

 

Escrito por Paula Helena Gomes de Moraes Ruiz


A diabetes mellitus tipo 2 é uma disfunção metabólica grave, de evolução lenta e progressiva, que representa cerca de 90% de todos os casos de diabetes (International Diabetes Federation [IDF], 2025). Muito além dos desafios fisiológicos, conviver com a doença exige uma adaptação comportamental intensa. A pessoa com diabetes precisa adotar uma nova dieta, monitorar a glicemia, usar medicamentos e lidar com o medo constante de complicações severas, como neuropatias e doenças cardiovasculares, para assim ter o melhor controle da glicemia.

É exatamente nesse cenário de estresse crônico que muitas pessoas desenvolvem esquiva experiencial, uma tentativa de evitar pensamentos e sentimentos desconfortáveis sobre a doença. O resultado? O abandono das rotinas de autocuidado. Para enfrentar essa barreira, a Psicologia tem voltado seus olhos para a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).

A ACT ajuda pessoas com diabetes promovendo mudanças adaptativas de comportamento, mesmo diante de pensamentos, sentimentos ou sensações indesejadas associadas à doença e às restrições contínuas exigidas pelo tratamento (Gregg et al., 2007). A forma como a ACT atua na diabetes pode ser compreendida através dos seguintes mecanismos e resultados:

1. Redução da Esquiva Experiencial: É muito comum que pessoas com diabetes evitem pensamentos perturbadores sobre as complicações da doença ou até mesmo sobre a morte. O medo e a ansiedade (como o medo de ter uma crise de hipoglicemia) podem dominar a vida da pessoa, levando-a a tentar aliviar esse desconforto imediato ao invés de focar em cuidados de longo prazo (Kılıç et al., 2023). A ACT ajuda a reduzir o nível de influência dessa esquiva experiencial, permitindo que a pessoa não fuja de suas emoções, mas aprenda a conviver com elas.

2. Aumento da Aceitação: A terapia foca no desenvolvimento da flexibilidade psicológica, que é a capacidade de estar aberto e focado no momento presente, agindo de acordo com seus próprios valores e objetivos de vida (Luoma et al., 2022). A aceitação (que faz parte da flexibilidade psicológica), na diabetes significa lidar com a realidade da condição de forma aberta e sem julgamentos, abandonando a luta constante contra a frustração e as limitações físicas. Ao aceitar o desconforto (como a dor da agulha de insulina ou a frustração de restrições alimentares), o paciente consegue adotar uma abordagem mais flexível para lidar com os desafios diários.

3. Foco na Ação Comprometida baseada em Valores: A ACT ajuda os pacientes a explorarem os seus valores pessoais relacionados à saúde. Através da ação comprometida, a terapia orienta o paciente a tomar atitudes consistentes com o que realmente lhe importa, mesmo que isso signifique entrar em contato com experiências difíceis (Luoma et al., 2022). A pessoa deixa de focar no alívio imediato (como comer um doce para aliviar a ansiedade) e passa a focar nas suas metas de saúde em longo prazo.

Mas até que ponto a ACT é realmente eficaz para esses pacientes? E como ela se comporta quando aplicada à realidade sociodemográfica brasileira? Analisando as evidências científicas recentes, podemos extrair questões importantes para a prática clínica e para a pesquisa.

Quando olhamos para dois artigos que retratam essa temática (de Moraes Ruiz et al., 2025; Ruiz et al., 2025), encontramos resultados bastante animadores. Uma revisão sistemática recente analisou intervenções baseadas em ACT para adultos com diabetes tipo 2 e encontrou um impacto positivo e sustentado (de Moraes Ruiz et al., 2025).

Os dados da revisão sistemática (de Moraes Ruiz et al., 2025) mostraram que intervenções em grupo focadas na ACT, muitas vezes integradas a componentes educativos sobre a doença, foram mais eficazes do que os tratamentos convencionais. É importante esclarecer que o "tratamento convencional" ou "tratamento usual", no contexto dessas pesquisas científicas, refere-se ao cuidado médico padrão. Trata-se daquele acompanhamento que o paciente já recebe rotineiramente nos postos de saúde ou hospitais, como a medição de glicemia, a entrega de cartilhas e as consultas médicas básicas, mas sem a inclusão de uma intervenção psicoterapêutica especializada para lidar com o peso emocional da doença. Ao comparar as abordagens, a ACT demonstrou superioridade em diversos aspectos:

a) Aumento significativo do autocuidado: Os pacientes demonstraram maior adesão a comportamentos essenciais para o manejo da diabetes.

b) Melhora no controle glicêmico: Houve redução nos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c).

c) Ganhos psicossociais: Melhorias expressivas na qualidade de vida e na adesão ao tratamento, resultados que se mantiveram em avaliações de seguimento (follow-up) meses após a intervenção.

d) Vantagem comparativa frente à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Os estudos não apenas compararam a ACT com a ausência de terapia, mas também a colocaram à prova contra outras abordagens psicológicas, como a TCC. Os resultados revelaram que a ACT se mostrou ainda mais eficaz, com um tamanho de efeito de forte a moderado, na promoção do autocuidado em comparação à TCC. Isso sugere que, para o paciente diabético, focar no desenvolvimento da flexibilidade psicológica constitui um mecanismo de promoção mais poderoso para a mudança de hábitos diários do que outras estratégias convencionais de modificação de pensamento.

Se a ACT é tão promissora na teoria e em estudos internacionais (Sakamoto et al., 2021; Wang et al., 2024), o que acontece quando a aplicamos em populações específicas, com realidades socioeconômicas desafiadoras?

Um estudo de campo conduzido no Brasil trouxe reflexões fundamentais sobre essa questão (Ruiz et al., 2025). Ao investigar a relação entre a aceitação da diabetes e o autocuidado em 68 adultos brasileiros com diabetes tipo 2 atendidos no SUS, os pesquisadores encontraram um cenário mais complexo.

Diferente do esperado, não foi encontrada uma correlação estatisticamente significativa direta entre a aceitação da diabetes e os níveis de autocuidado na amostra geral. Isso significa, necessariamente, que a intervenção foi ineficaz? Não. Significa que precisamos refinar nosso olhar clínico.

Os pesquisadores identificaram que variáveis sociodemográficas exerciam um peso substancial nos resultados. A amostra era predominantemente composta por idosos (média de idade acima de 61 anos) e pessoas com baixo nível de escolaridade. Quando os dados foram ajustados, revelou-se que a idade influenciou diretamente a relação entre a aceitação e o autocuidado.

Pessoas em idade avançada e com recursos educacionais limitados tendem a enfrentar barreiras cognitivas e funcionais mais rígidas para compreender e aplicar as demandas complexas do manejo da diabetes (Ruiz et al., 2025). Nesses casos, o conceito de "aceitação" pode esbarrar em dificuldades concretas de letramento em saúde.

A ACT representa uma quebra de paradigma no tratamento da diabetes tipo 2. Ela nos ensina que, para controlar a glicemia, o paciente não precisa travar uma guerra contra os próprios sentimentos e pensamentos.

Contudo, a ciência exige rigor e contexto. Para que o potencial clínico da ACT seja plenamente alcançado no Brasil, pesquisadores e terapeutas precisam continuar desenvolvendo ferramentas de avaliação adaptadas à nossa cultura e criar protocolos de intervenção sensíveis à idade e à realidade educacional dos nossos pacientes. Só assim garantiremos que o poder da flexibilidade psicológica chegue, de fato, a quem mais precisa.

 

Resenha dos artigos:

de Moraes Ruiz, P. H. G., de Abreu Junior, D. D. C., & de Fátima Kirchner, L. (2025). Terapia de Aceitação e Compromisso para pessoas com diabetes tipo 2: uma revisão sistemática. Perspectivas em Análise do Comportamento, xx-xx.

Ruiz, P. H. G. D. M., Kirchner, L. D. F., Canavarros de-Abreu-Júnior, D. D., Seidl, E. M. F., Borges, L. M., Mendes-Chiloff, C. L., ... & Melo, C. D. F. (2025). Relationship between acceptance and self-care in type 2 diabetes. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 21.

 

 Referências

 

Gregg, J. A., Callaghan, G. M., Hayes, S. C., & Glenn-Lawson, J. L. (2007). Improving diabetes self-management through acceptance, mindfulness, and values: a randomized controlled trial. Journal of consulting and clinical psychology, 75(2), 336.

International Diabetes Federation (2025). IDF Diabetes Atlas 11th Edition, 11ª ed. p. 131

Kılıç, A., Hudson, J., Scott, W., McCracken, L. M., Hackett, R. A., & Hughes, L. D. (2023). An online acceptance, commitment, and self-compassion based treatment to decrease psychological distress in people with type 2 diabetes: A feasibility randomised-controlled trial. Internet Interventions. https://doi.org/10.1016/J.INVENT.2023.100658

Luoma, J. B., Hayes, S. C. & Walser, R. D. (2022). Aprendendo ACT: manual de habilidades da terapia de aceitação e compromisso para terapeutas. 2 ed. Novo Hamburgo: Sinopsys Editora.

Sakamoto, R., Yoichi Ohtake, Ohtake, Y., Yuki Kataoka, Kataoka, Y., Yoshinobu Matsuda, Matsuda, Y., Takehisa Hata, Hata, T., Jun Otonari, Otonari, J., Akira Yamane, Akira Yamane, Hiromichi Matsuoka, Matsuoka, H., Kazuhiro Yoshiuchi, & Yoshiuchi, K. (2021). Efficacy of acceptance and commitment therapy for people with type 2 diabetes: Systematic review and meta-analysis. Journal of Diabetes Investigation. https://doi.org/10.1111/jdi.13658

Wang, M., Liu, Q., Zhu, Z., Guo, X., Hu, X., & Cheng, L. (2024). Effectiveness of acceptance and commitment therapy in people with type 2 diabetes mellitus: A systematic review and meta‐analysis. Worldviews on Evidence-Based Nursing, 21(4), 454–466. https://doi.org/10.1111/wvn.12719


[ARTIGO] Autores de violência contra mulheres: entre dados e perguntas

  Escrito por Taísa Scarpin Guazi Em “Vivências dos homens autores de violência contra as mulheres: uma perspectiva interseccional”, Valadar...